terça-feira, 30 de março de 2004

Março Acabou



Amanhã é o último dia de março. Que mês bagunçado esse na minha vida. Mas passou, ou amanhã passará.

Sabe aquele mês que você não pode dizer que foi ruim, mas muito menos que foi bom? Apenas passou. E isso é muito ruim.

Talvez a culpa seja mesmo minha.

Saí do meu humilde hospital para ficar 1 mês fora, em um serviço tradicional, famoso, bem-conceituado, etecetera e tal. Acho que fui com muita sede e quando eu vi estava enfrentando os mesmos velhos problemas, escutando as mesmas reclamações e aproveitando quase-nada. E cada dia mais fui me sentindo sub-aproveitado, mas tããããõ sub-aproveitado, que isso fez de março um sub-mês.

Mês estranho.

Sei quando estou estranho, quando não consigo encontrar uma música que represente o momento que estou vivendo.

Quando as coisas estão normais, geralmente há um Cd engatilhado e repetido sempre com o mesmo entusiasmo.

Nesse mês, não há CD, nem música que pare na vitrola.

E ó que eu tentei de tudo...

E nesse sub-mês, uma coisa foi integral: a bagunça em cima da mesa. Parece a novela Metamorphoses, um samba do crioulo doido. Ontem, tava estudando e fazendo mil outras coisas ao mesmo tempo, quando falei: tenho que registrar isso... E registrei.

A inusitada presença do abacate também faz parte desse círculo do mês. Não gosto de abacate. Mas quando passei no supermercado, e vi o abacate, me lembrei de quando era criança e de mãe fazendo vitamina de abacate pros filhos. Daí eu comprei o abacate e quando ele estava madurinho, fiz vitamina de abacate. Rá-rá-rá!

Hoje de tarde, depois da chuva, comprei pão na padaria e comi com manteiga, mais leite batido com Toddy no liquidificador.

É...

Mas amanhã, março se acaba.

E abril, há de abrir os horizontes.

Amanhã, minha pequena vai providenciar nossas carteirinhas e daí ela não me escapa do roteiro teatro-cinema-show, que andou meio estagnado em março.

Coincidentemente, o correio deve trazer o novo Cd da Mônica Salmaso (Iaiá), que eu encomendei na semana passada, com muita música boa para embalar abril e organizar uma mesa.

Até abril!

segunda-feira, 29 de março de 2004

Ofurunco

Astrid: "Legal. Vocês estão indo pra onde agora?"

Broz1: "Gravar o Raul Gil!"

Astrid: "Raul Gil, que legal! Então vocês vão chegar atrasados porque nós vamos fazer o Raul Gil aqui... O que terá no cenário da Astrid com a letra....C. C! Letra C!"

Broz1: "Cama!"

Broz2: "Câmera!"

Broz3: "Cirene!"

Astrid: "Hã?"

Broz3: "É, no cenário vai ter uma cirene!"

Astrid: "Aiiiiiiiii! Sirene é com S, menino."

domingo, 28 de março de 2004

Sou chique, bem!




Segunda - As antigas freguesas batem a porta na cara de Márcia, com medo que ela lhes roube o marido.

Terça - Márcia garante que está mudada, e Timóteo manda que ela dê banho nos porcos.

Sábado - Márcia coloca laços de fita e perfume nos porcos. Carmem flagra Márcia e Timóteo se beijando.


P.s.: acho que desde de Vale Tudo, não lia resumos de novela. hehe.


sábado, 27 de março de 2004

Novelão

Os saudosos daquela porcaria chamada O Clone, já tem substituta: a novela Metamorphoses, da Record, consegue reproduzir a altura tramas igualmente rocambolescas e sem-pé-na-cabeça de dona Glória Perez.

sexta-feira, 26 de março de 2004

Aruanda


Fui ao novo show de Rita Ribeiro:

Rita Ribeiro funde sons do terreiro e das pistas
Maranhense mostra de hoje a domingo Tecnomacumba, em que mistura som de atabaques e levada tecno. Show vai render CD ao vivo e DVD
Rita: "o que me seduz é trazer essa cultura do terreiro para a linguagem pop-tecnológica"

São Paulo - O aprimoramento de Rita Ribeiro no palco pode ser medido pelo assombro evolutivo de Jurema, o ponto de umbanda que ela fundiu com levada de dance music no disco de estréia, de 1998. A cada show, a música vem ganhando mais peso e mais força, não apenas pelos arranjos cada vez mais encorpados, mas também pelo impacto visual. Quando Rita evoca a entidade cabocla magnetiza a platéia numa espécie de transe. A partir desse efeito de Jurema, que reflete sua maturidade como intérprete, a cantora maranhense passou a acalentar a idéia de um projeto de show-disco, todo centrado na fusão do som dos atabaques dos terreiros, com timbres eletrônicos e levadas de pop dançante. Assim nasceu Tecnomacumba - O Canto dos Orixás, que Rita mostra de hoje a domingo no Sesc Vila Mariana.

O resultado não é exatamente o que vai cair no gosto de um fã de tecno. "Na falta de melhor expressão para definir meu projeto usei isso. Do universo eletrônico só tenho curiosidade, ainda assim é mais pela tecnologia do que pela música", avisa a cantora. "O que me seduz é trazer essa cultura do terreiro para a linguagem pop-tecnológica." Rita sugere uma associação entre o transe hipnótico dos rituais de umbanda e candomblé e o das pistas de dança das discotecas. "Procurei entender o que, além da religião, produzia essa sensação no terreiro e vi que, primeiro, é a música que está no canto e no batuque e, depois, a dança."

Tecnomacumba vai ser gravado para sair em CD ao vivo e DVD. No repertório estão preciosidades como Domingo 23 (Jorge Ben), Oração ao Tempo (Caetano Veloso), Babá Alapalá (Gilberto Gil), Rainha do Mar (Dorival Caymmi), Iansã (Gil e Caetano), Xangô Vencedor (Ruy Maurity) e Cavaleiro de Aruanda (Ronnie Von), além de Jurema e Moça Bonita (esta do repertório de Ângela Maria), que Rita já havia gravado. Para encerrar há o Tambor de Crioula, dos maranhenses Cleto Junior e Oberdan de Oliveira.


e agora essa música não me sai da cabeça e é meu antídoto nos engarrafamentos da Paulicéia:



Na tina, vovó lavou, vovó lavou
A roupa que mamãe vestiu quando foi batizada
E mamãe quando era menina teve que passar, teve que passar
Muita fumaça e calor no ferro de engomar


Hoje mamãe me falou de vovó só de vovó
Disse que no tempo dela era bem melhor
Mesmo agachada na tina e soprando no ferro de carvão
Tinha-se mais amizade e mais consideração
Disse que naquele tempo a palafra de um mero cidadão
Valia mais que hoje em dia uma nota de milhão
Disse afinal que o que é de verdade
Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga, ai no tina...


Hoje o olhar de mamãe marejou só marejou
Quando se lembrou do velho, o meu bisavô
Disse que ele foi escravo mas não se entregou à escravidão
Sempre vivia fugindo e arrumando confusão
Disse pra mim que essa história do meu bisavô, negro fujão
Devia servir de exemplo a "esses nego pai João"
Disse afinal que o que é de verdade
Ninguém mais hoje liga
Isso é coisa da antiga
Oi na tina...


COISA DA ANTIGA
(Wilson Moreira e Nei Lopes)

domingo, 21 de março de 2004

quarta-feira, 17 de março de 2004

Cirrose

Não entendo nada de publicidade.

Mas parece que a contratação de Zeca Pagodinho, garoto-propaganda do lançamento da Nova Schin, pela Bhrama gera efeito contrário...

sábado, 13 de março de 2004

Ela, Daniela



Musicalmente me defino antes e depois dela, Daniela. Sim, ela mesma, a Mercury.

Calma, explico.

Até a minha adolescência não havia nada em mim que se pudesse definir como gosto musical.

Navegava com o mesmo fervor por qualquer coisa que tocasse na rádio ou na Tv.

Assim foi com Xuxa. Sim, quanta xuxa eu já escutei nessa minha vida.

Quando já não era mais baixinho, me dediquei às novas ondas.

E assim passei pela da lambada, pela sertaneja, intercaladas por uma súbita passagem de Rosana, também aquela mesma de "Como Uma Deusa".

Seguindo esse panorama, continuaria eu hoje escutando "Eguinha Pocotó" ou Kelly Key?

Não sei.

Sei que a mudança se inicou com Daniela. Era a nova onda, a axé music, na qual eu mergulhei mais uma vez.

Os três primeiros discos de Daniela, todos parte da minha coleção, hoje são datados. Extremamente comprometidos com a indústria, então em ebulição, sufocam o talento da cantora em composições insípidas e inúmeros baticums.

O pulo veio mesmo no quarto CD, o qual persiste como o trabalho mais maduro e honesto da baiana até hoje. É um trabalho corajoso, que lança ao público o compositor Chico César (em A primeira vista) e repete bons momentos com Marcio Mello (Nobre Vagabundo, Bandeira Flor), Carlinhos Brown (Rapunzel e Vide Gal). Parecia então a cantora estar próxima do difícil ponto de equilíbrio entre qualidade e indústria, quando o mundo de Daniela caiu.

O sucesso desse CD foi seguido por um injustificável e tolo CD ao vivo, com repetições enfadonhas dos seus sucessos.

Nesse momento, Daniela, no entanto, já havia me auxiliado. Isntigado por "A primeira vista", já devorava avidamente os cds de Chico César, que me apresentaram Zeca Baleiro e definitivamente me introduziram no mundo desta MPB que me fascina desde então, não como uma onda, mas como um gosto musical, quase um traço da minha personalidade.

Mas "não, não me abandone".

Nesse meio tempo, Daniela correu atrás do tempo perdido. Sucessivamente tentava equilibrar seu trabalho entre o que queria fazer e o que queriam que fizesse. No meio desse conflito, tudo o que conseguiu foram discos irregulares, tensos, em que atirava para vários focos incertos.

No último domingo, caiu em minha mão o novo CD da cantora, batizado de Carnaval Eletrônico, no qual a cantora radicaliza enfim suas experiências com a música eletrônica. Ao terminar de escutá-lo, fiquei satisfeito. Daniela foi muito corajosa nessa nova empreitada e depois de muito tempo voltou a produzir algo com vigor, com sabor de novo.

A abertura do CD, com Maimbê Dadá, de (e com) Carlinhos Brown, é a cara de Daniela e reforça-a como a melhor intérprete do lado axé de Brown (Marisa Monte cataliza o lado "tribalista"). Mas é nas regravações, todas com cara de inéditas, que saem a graça do CD: Vou Batê Pá Tu, Que Baque é Esse (com Lenine), A Tonga da Mironga do Kabuletê, Amor de Carnaval (com Gilberto Gil) e Quero Voltar pra Bahia. Tudo muito misturado por Memê, Anderson Noise, Zé Pedro e etc.

Não sei qual será a trajetória desse CD, mas é um agradável sacode-poeira na carreira de Daniela.

A única coisa irritante é a insistência da cantora em se afirmar como compositora, talvez para se igualar a outras de sua geração (Calcanhotto, Ana, Marisa...). As faixas de sua autoria são as menos inspiradas.

Mas já é um bom (re)começo.
"Alguém Tem Que Ceder"



Diane Keaton, Jack Nicholson e Frances McDormand estão formidáveis nesse filme que eu assisti ontem com a minha pequena, depois de 2 dipironas.

sexta-feira, 12 de março de 2004

Omelete de Aniversário

Receita única e exclusiva. E ainda romântica.

Funciona assim.

Minha pequena trouxe três ovos, que estavam fazendo aniversário na geladeira dela. Que foram adicionados aos dois que faziam bodas de ouro na porta da minha.

Exaustivamente batidos, adicionado sal e salsinha.

Daí, o resto daquela cebola que foi usada no peixe da semana passada.

Recheado com o frango de padaria que fazia aniversário no sábado passado.

Mais tomate e queijo branco e mussarela.



E para beber?

A Pepsi Twist Light da semana passada não deu pra aproveitar.

hehe.

quinta-feira, 11 de março de 2004

domingo, 7 de março de 2004





Ando nas ruas do centro
Estou lembrando tempos
Enquanto lhe vejo caminhar
Aquando à calçada
Um barbeia um velho
Deita a noite, diz poesias
Ando pelas ruas do centro
Estou lembrando tempos
Enquanto lhe vejo caminhar
Aquando à calçada
Um barbeia um velho
Deita a noite, diz serenatas
Vinho, enquanto ouve choro costrar
Passei na casa, seu José não estava
Memórias Senhor Brás Cubas Postumavam
Enquanto vi passar Helena pra casa de chá
Devagar, bonde na praça
Ainda borda delicadeza
Torna a gente
Banca de flores
Libertando sorrisos no ar



Carta (Ano de 1890), Vanessa da Mata


sábado, 6 de março de 2004

Manhã Cinza

Cheguei do plantão, abri a janela e...

Cenas de um Pronto-Socorro -

Acredite se Quiser


Doutor, eu vim aqui porque eu estou salivando muito à noite.

Toda noite, minha boca enche de saliva.

Muita Saliva.

E eu já me afoguei três vezes.
Cocada

Essas são as cocadas que eu sempre trago pra casa quando vou a Goiânia.



ai meu deus se eu pudesse eu abria um buraco
metia os pés dentro criava raiz
virava coqueiro trepava em mim mesmo
colhia meus cocos meus frutos feliz
ralava eles todos com cravo e açúcar
e punha num tacho pra fazer cocada
depois convidava morenas e louras
mulatas e negras pra dar uma provada
depois satisfeito de tanta dentada
na boca de todas eu me derretia
e aí novamente eu abria um buraco
metia os pés dentro com toda alegria
virava coqueiro trepava em mim mesmo
colhia meus cocos fazia tachada
com cravo e açúcar ficava roxinho
ficava doidinho pra ser mais cocada


cocada, antônio vieira